quinta-feira, 8 de março de 2012

1540: Olhão: 2 milhões e lendas ajudam a regenerar centro histórico

Foram apresentados os resultados da candidatura a fundos comunitários da Fesnima EM, mercados municipais e autarquia de Olhão para elaboração dum Plano de Pormenor e 4 projetos de requalificação e animação do centro histórico de Olhão, num total de 2 milhões de euros.


 


Anunciada há um ano, a candidatura de Olhão a um financiamento de 1 milhão de euros - 50% do investimento associado ao projeto - ao Eixo 3 do Plano Operacional do PO Algarve 21 e engloba cinco projectos, dos quais se destaca a elaboração do Plano de Pormenor do Centro Histórico numa área de intervenção de 16 hectares e onde residem mais de duas mil pessoas.


 


Estão ainda previstas intervenções no espaço público emblemático (largos históricos) e de arte urbana. Um programa de dinamização dos mercados municipais e animação incluem também a candidatura.


 


São cinco os largos emblemáticos de Olhão alvo de intervenção e beneficiação: Largos João da Carma, do Carolas, do Gaibéu, da Fábrica Velha e Praça Patrão Joaquim Lopes.


 


Os largos ficarão ligados entre si e cada um deles fará referência a uma das lendas de Olhão, com a introdução de peças de arte. O percurso ficará conhecido como ‘Caminho das Lendas’.


 


Pretende-se dotar toda esta área de intervenção de características inovadoras, através da diversificação de equipamentos, inovação na gestão urbana e apostando nas acessibilidades e mobilidade.


 


Para isso, será uniformizada a zona para que os peões possam circular com conforto, a iluminação será reformulada e vão ser consolidadas e decoradas as empenas cegas, ação dependente do Projecto de Arte Urbana.


 


Está ainda prevista a sobre-elevação da Passadeira sobre Av. 5 de Outubro (Junto à Praça Patrão Joaquim Lopes) e vão exisitr zonas verdes com sombra de árvores.


 


A intenção é também revitalizar económica e socialmente o centro histórico e os seus espaços degradados e/ou fragilizados e ainda, reforçar a atractividade da cidade.


A dinamização dos Mercados Municipais, um dos ex-libris da frente ribeirinha e da própria cidade de Olhão, passa por sua vez pela qualificação da envolvente, a que se associará um plano de comunicação e divulgação.


 


Por seu lado, a Fesnima EM dinamizará o programa de acção e as acções de promoção e divulgação, através da mobilização e envolvimento dos diversos agentes.


 


Mercado do peixe acolhe apresentação do projeto


 


O projeto foi agora alvo de apresentação pública nesta terça feira, que decorreu entre as bancas do mercado do peixe em Olhão, e o próximo passo será, após a sua finalização, lançar o concurso para selecção da empresa construtora.


 


Mais de uma centena de pessoas participou no I Seminário de Regeneração Urbana, no ambito do qual foram dados a conhecer as transformações de que a Zona Histórica e a Frente Ribeirinha de Olhão serão alvo, onde se pretende um desenvolvimento harmonioso preservando as suas características diferenciadoras.


 


"Um dos grandes desafios que se colocam à regeneração urbana, no caso de Olhão, é o facto de, sendo um território com a forte identidade de uma comunidade muito ligada às atividades da Ria Formosa, é procurar no processo de renovação da cidade, manter essa mesma identidade", defendeu na ocasião, o vice-presidente do Município de Olhão, António Pina.


 


"Não se deve descaracterizar nem cair na tentação de tornar o centro histórico, apenas um local destinado ao turismo. Regeneração urbana não é só requalificar os edifícios, devendo integrar igualmente uma forte componente económica, social e cultural", acrescentou ainda o autarca .


A síntese que se pode retirar das intervenções dos intervenientes no seminário foi a defesa de um plano harmonioso, coerente e que não descaracterize a zona histórica de Olhão assumida pelos arquitetos José Aguiar, Pedro Ravara, António Figueiredo, Andreia Santos e Ditza Reis (moderadora do seminário).


 


Filomena Coelho, técnica da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve explicou o menanismo de apoio financeiro do projeto augurando o seu sucesso por se desenvolver junto à zona ribeirinha, com uma forte capacidade de atração de pessoas.


 


Pedro Ravara, do Baixa Atelier, que está a desenvolver o plano de pormenor da zona histórica de Olhão referiu, entre outros temas, o que está a ser feito ao nível da evolução da malha urbana, da volumetria dos quarteirões ou do edificado devoluto em ruínas, apontando como pontos fortes da zona a dinâmica comercial tradicional, as açoteias da cidade cubista, a consciencialização da importância do espaço público e a proximidade à frente ribeirinha.


 


Por seu lado, António Figueiredo, da Espaço e Desenvolvimento, mostrou em que consiste o Caminho das Lendas, que integra a área de intervenção da zona histórica. As lendas de Olhão vão animar o percurso do centro histórico.


 


Neste âmbito, e antes de serem conhecidos os trabalhos que estão a ser desenvolvidos para a zona histórica da cidade cubista, José Aguiar, da Universidade Técnica de Lisboa, falou dos novos desafios que se colocam à arquitetura, da necessidade de ‘re-arquiteturar’.


 


O arquiteto deu alguns exemplos de cidades do Mundo que não perderam as suas características ao restituir a cidade à esfera pública, através da requalificação e também o que tem sido feito nalguns concelhos portugueses, dando Guimarães como exemplo de uma cidade de referência.


 


Fonte: Observatório do Algarve

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