quarta-feira, 17 de novembro de 2010

1163: Odelouca, perto da barragem, mas sem abastecimento de água

A rede pública de abastecimento de água ainda não chegou às casas da localidade de Odelouca (concelho de Silves) devido à dificuldade de atravessamento das condutas nas oito pontes que existem ao longo da Estrada Nacional (EN) 124.


 


O entrave, que tem demorado a ser resolvido, cria problemas aos moradores que são obrigados a recorrer a soluções muito mais dispendiosas como a compra de água, a construção de cisternas ou até ao arrendamento de uma segunda casa noutro local, onde haja água canalizada.

Adriana Marques é uma das moradoras que tem tentado, vezes sem conta, obter respostas dos responsáveis em relação à data para a instalação das condutas.

«A Câmara de Silves diz que não é com ela, que é com a Estradas de Portugal. A empresa afirma que necessitava de um projeto da autarquia, pois, pelo que sei, queriam requalificar a via e instalar as condutas ao mesmo tempo», disse a moradora. A intervenção na EN é outra das obras reclamada há muito tempo pela população, pois a estrada está muito degradada.

«Mandei um email para a empresa, por causa do abastecimento de água e dos buracos na estrada, no Inverno passado. Responderam que não podiam fazer nada porque estava a chover muito, mas que, mal terminasse o Inverno, faziam. No Verão, voltei a mandar um email e a resposta foi que estava para breve o fornecimento de água», contou Adriana Marques, que já contactou os responsáveis outras vezes.

Passou mais de um ano e os projetos da requalificação da estrada ou do abastecimento de água continuam parados.

Contactada pelo «barlavento», a empresa Estradas de Portugal (EP) confirmou que a requalificação da EN 124, entre o Porto de Lagos e Silves, avançará, pois está integrada no contrato da Subconcessão Algarve Litoral. Mas não avançou quaisquer datas.

Fonte do gabinete de comunicação da empresa esclareceu também que «a ligação à rede pública de abastecimento de água é uma iniciativa da Câmara de Silves que não está incluída na requalificação da via». Ainda assim, a concessionária Rotas do Algarve Litoral teve que analisar o projeto da Câmara, porque este interfere com oito pontes na EN 124.

Por sua vez, fonte da Câmara de Silves disse ao «barlavento» que foram apontadas diversas alterações pela EP.

«O projeto não correspondia a algumas exigências, tendo sido entregue a uma empresa externa que está a trabalhar nas soluções» para a instalação das condutas, justificou a fonte da autarquia. Mas, também neste caso, não são apontadas datas.

O certo é que os moradores continuam sem abastecimento de água por tempo indeterminado.

«No Verão, tive de arrendar uma casa em Carvoeiro, onde tenho um negócio, porque dependo do poço de um vizinho», revelou Adriana Marques. Quando comprou o terreno em Odelouca, o projeto estava aprovado, com água da rede pública. Tal como ela, houve mais vizinhos que construíram moradias nas mesmas circunstâncias.

«Para cozinhar, tenho de ir buscar água a uma torneira pública no Falacho, porque muitas vezes a água do poço vem barrenta e, todos os dias, temos que gerir com os outros vizinhos, que usam o mesmo poço, a abertura das torneiras. Não podem todos abrir ao mesmo tempo», desabafou.

E o mais irónico é que, alguns quilómetros a Norte, até existe a maior barragem do Algarve, a de Odelouca, inaugurada no Verão passado pelo primeiro ministro José Sócrates, como um grande investimento para os residentes e turismo da região.


 


Fonte: Barlavento Online

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