quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

898: Próxima maré viva prevista pode destruir mais casas na Fuzeta

Em dois meses marés vivas e ondulação forte do mar destruíram quase 30 casas de férias da Ilha da Fuzeta, mas há mais 10 habitações em risco iminente de cair com as marés vivas previstas segunda-feira.


 


Em declarações à Lusa, a presidente da Sociedade Polis Ria Formosa, Valentina Calixto, disse que há neste momento 10 casas na Ilha da Fuzeta em risco iminente de destruição pelo mar e que esse facto pode registar-se com as próximas marés vivas, previstas para a próxima segunda-feira.


 


A destruição das casas através de um fenómeno natural apenas veio antecipar a demolição programada pelo Polis Ria Formosa, um projeto de 87 milhões de euros que prevê uma intervenção em 48 quilómetros de frente costeira.


 


A destruição das casas pelo mar por antecipação ao polis não significa, no entanto, um trabalho mais facilitado e económico para as autoridades responsáveis pela renaturalização das ilhas da Ria Formosa, observou Sebastião Teixeira, geólogo da Administração Hidrográfica Regional do Algarve.


 


A operação de remoção do lixo e o seu carregamento para terra ficou mais dificultada, porque o lixo está mais disperso pela praia e pela Ria Formosa, explicou.


 


Sebastião Teixeira acrescenta ainda que os destroços das casas podem aumentar o perigo para os pescadores e mariscadores durante a faina, nomeadamente à noite, altura em que a observação de obstáculos é mais difícil.


 


Contudo, a Polícia Marítima indicou que os destroços que flutuam serão madeiras de pequeno porte e que não apresentam um "verdadeiro risco para a navegação".


 


Valentina Calixto disse que neste momento está a correr um processo de preparação para um concurso público de remoção dos destroços e das ruínas, cujo objetivo é retirar todo o lixo da praia e Ria Formosa até à Páscoa.


 


As casas destruídas na Fuzeta este inverno são fruto de um fenómeno natural registado numa frente costeira de cerca de 100 metros, onde o mar rasgou a duna e em consequência galgou para a Ria Formosa, um sistema lagunar natural.


 


"A ilha da Fuzeta já estava muito frágil e acabou por ceder. Neste momento a duna desapareceu e nessa frente de 100 metros já só há praia", explicou o geólogo Sebastião Teixeira.


 


Desde dezembro de 2009, e até hoje, o mar já destruiu, total ou parcialmente, 29 casas na Ilha da Fuzeta.


 


"Depois da tempestade vem a bonança" e se neste momento o mar está a rasgar e a romper, assim que a tempestade terminar vai repor", afirmou Sebastião Teixeira.


 


Fonte: Lusa

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