sábado, 30 de maio de 2009

690: Algarve com futuro 'sombrio'

Nos próximos cem anos o Algarve pode ser afectado por períodos de seca mais extensos e severos, mais fogos florestais e chuvas menos frequentes mas mais violentas.


 




A tendência é para que as chuvas se tornem provavelmente mais irregulares e abundantes, com características semelhantes à precipitação que ocorre nas regiões tropicais, diz Tomasz Boski.


 


O coordenador do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA), da Universidade do Algarve, diz ainda que no futuro pode tornar-se mais frequente a ocorrência da chamada bruma ou neblina seca, relacionada com o arrastamento de partículas de poeira do deserto do Sara.


 


O fenómeno, que se verifica no Algarve sobretudo durante o mês de Maio, pode tornar-se mais frequente, embora o investigador frise que a sua ocorrência está mais relacionada com fenómenos à escala global.


 


Por outro lado, há uma tendência para a subida da temperatura, embora Boski defenda que as oscilações térmicas são naturais, não se podendo afirmar que o clima está a sofrer uma mudança radical.


 


O investigador prepara-se para iniciar um projecto do CIMA que visa obter um registo climático da região nos últimos milhares de anos, através da datação de sedimentos encontrados em naves (vales fechados), lagoas e albufeiras.


 


O mesmo procedimento já foi utilizado no Estuário do Guadiana, onde uma equipa do CIMA, em colaboração com a Universidade de Cambridge, fez uma reconstituição do clima no Algarve nos últimos treze mil anos.


 


Através do estudo - que consistiu na datação de sedimentos depositados no fundo do estuário com recurso à técnica de carbono 14, também usada em Arqueologia -, os investigadores definiram cinco fases climáticas.


 


A reconstituição do clima na região permitiu, segundo Tomasz Boski, tecer algumas projecções no que respeita às alterações climáticas no futuro, sendo que a tendência é de subida da temperatura e chuva mais irregular e abundante.


 


No que respeita à vegetação, se não houvesse intervenção humana, nomeadamente em processos de reflorestação, a tendência natural seria o declínio de árvores e o aumento de arbustos e plantas rasteiras.


 


Contudo, o investigador chama a atenção para a necessidade de reflorestar com recurso a árvores autóctones e não importadas de outros países, como o eucalipto, trazido da Austrália.


 


"A plantação de eucaliptos pode ser boa para a Indústria da Celulose, mas é mau para a paisagem", diz, lembrando que o eucalipto é uma árvore que seca muito o solo, sendo também altamente inflamável devido à resina.


 




 


Fonte: Observatório do Algarve

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