sábado, 15 de novembro de 2008

487: Litoral ainda não é encarado como um recurso marinho

O litoral ainda não é encarado em Portugal como um recurso marinho e por isso ainda se aposta pouco na gestão costeira.


 



A teoria é de Alveirinho Dias, um dos fundadores do curso de Ciências do Mar da Universidade do Algarve.


O docente e especialista em erosão costeira, defendeu, em declarações à Lusa, uma aposta com mais intensidade nesta matéria, até porque a área portuguesa submersa é "muito superior à emersa".


 


"Em Portugal não há a percepção ainda que o litoral é um recurso marinho", afirma um dos fundadores do antigo curso de Oceanografia, convertido em Ciências do Mar, o primeiro do género a surgir numa universidade pública portuguesa.


 


Na data em que se assinala o "Dia do Mar", a agência Lusa falou com investigadores e alunos do curso, no sentido de perceber qual o contributo da Universidade do Algarve para o desenvolvimento do conhecimento nesta área.


 


O curso, descrito por Alveirinho Dias como sendo "de banda larga", existe há cerca de dez anos e visa formar os alunos em todas as vertentes que compõem o oceano, integradas em áreas como a Física, Química e Geologia.


 


Uma das suas principais características é envolver os alunos, desde cedo, em projectos de investigação, levando-os para o terreno para que possam contactar com a realidade dos investigadores.


 


Na próxima terça-feira, cerca de 60 alunos daquele e do curso de Biologia Marinha vão presenciar um exercício da Marinha de combate à poluição no mar, o de maior dimensão do género já realizado no Algarve.


 


Pedro Alcântara, 23 anos, estudante do segundo ciclo (mestrado) do curso de Ciências do Mar, confirmou à Lusa o carácter prático do curso, de extrema importância para o futuro profissional dos alunos.


 


Para o aluno, natural de Sintra, a área do mar constitui cada vez mais uma aposta estratégica a nível nacional, sobretudo numa região com as características do Algarve, com uma vasta extensão de costa.


 


A directora do curso, Conceição Neves, sublinha, por seu turno, a interdisciplinaridade do curso, em parte fruto do facto das vertentes que o compõem estarem integradas no mesmo departamento e centro de investigação.


 


Lembrando as especificidades da região - sobretudo devido à existência da Ria Formosa e dos Estuários dos rios Arade e Guadiana -, a docente frisou que esta é a região por excelência no que respeita ao estudo do mar.


 


Alveirinho Dias corrobora a importância dos estudos nesta área e lembra que a criação do curso visou desde logo formar peritos nos assuntos do mar, que estejam habilitados a fazer investigação e perceber os processos marinhos.


 


"Toda a investigação e conhecimento que se possa fazer nessa matéria tem uma relevância muito elevada para o país", sublinha o docente, lamentando, contudo, que ainda se aposte pouco na vertente da gestão costeira.



 


 


Fonte: Observatório do Algarve

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