sábado, 8 de março de 2008

179: Presidente da Câmara de Loulé «acha bem» que Almargem faça queixa sobre a Quinta da Ombria

A associação ambientalista Almargem quer apresentar uma queixa à Comissão Europeia para travar o projecto da Quinta da Ombria, Loulé, iniciativa aceite pelo presidente da Câmara porque assim "ficam esclarecidas todas as dúvidas".


O projecto, previsto para o interior de Loulé, arrasta-se há mais de uma década e já foi alvo de uma queixa apresentada pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) à Comissão Europeia, que ainda não encerrou o processo.

O Plano de Pormenor do empreendimento turístico e imobiliário que se estende por uma área de 144 hectares entrou esta sexta-feira em vigor, depois de ter sido publicado quinta-feira em Diário da República.

A Quinta da Ombria, que ocupa terrenos inseridos na Rede Natura 2000, deverá ter um clube de golfe, um aldeamento turístico de 4 estrelas, um hotel de 5 estrelas e dezenas de moradias, num total de 1.700 novas camas.

Em declarações à Lusa, Luís Brás, da Almargem, disse que, apesar de o processo estar a avançar legalmente, não é tarde para apresentar uma queixa às instâncias europeias, tal como já fez, em 2004 a LPN.

"Estamos a trabalhar na fundamentação da queixa que queremos que avance o mais depressa possível", afirmou, argumentando que o recurso à Comissão Europeia se baseia no facto de "já estarem esgotadas todas as hipóteses".

Por seu turno, o presidente da Câmara de Loulé Seruca Emídio mostrou-se satisfeito com a aprovação e publicação do Plano de Pormenor da Quinta da Ombria e afirma "compreender" a posição dos ambientalistas.

"Acho bem que façam [a queixa] para que fiquem dissipadas todas as dúvidas", disse à Lusa, estranhando, contudo, que a Almargem ainda se questione sobre um projecto que já passou no Estudo de Impacte Ambiental.

"Se acham que ainda têm dúvidas sobre um projecto que já foi objecto de discussão pública, que vai gerar emprego e contribuir para desenvolver uma zona deprimida do concelho, então que o façam", afirmou.

Seruca Emídio ressalvou ainda que a autarquia vai zelar para que sejam cumpridas todas as condicionantes ambientais inerentes ao projecto que, diz, "só tem a ganhar se contribuir para a preservação do ambiente".

Já os ambientalistas acham que a Quinta da Ombria não passa de "uma cópia importada do mesmo litoral massificado", apontando o projecto como um verdadeiro exemplo da desajustada política de ordenamento.

A Almargem critica o facto de o empreendimento, que atravessará as freguesias de Querença e Tôr, incidir sobre zonas classificadas não só como Rede Natura como também Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN).

Considera ainda que as cerca de 1.700 camas inerentes ao projecto esgotam totalmente a capacidade de acolhimento prevista no Plano Director Municipal (PDM) de Loulé, duplicando de um momento para o outro a população residente no conjunto das duas freguesias.


Fonte: Barlavento Online

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