Um grupo de cientistas fez, por acaso, uma descoberta com aplicação na área das energias renováveis. Entre eles estava Peter Stallinga, investigador da Universidade do Algarve (UALG).
A descoberta feita por uma equipa de cinco investigadores, liderada por Tom Gregorkiewicz (Universidade de Amesterdão - Holanda), abre as portas à possibilidade de rentabilizar em 50 por cento a energia captada por painéis solares.
“A aplicação, de repente, virou de telecomunicações para painéis solares e energias renováveis”, conta ao Observatório do Algarve Peter Stallinga, que admite tratar-se de uma grande oportunidade.
Por enquanto, não existem produtos da investigação, trata-se apenas de um fenómeno físico, descoberto por acaso, enquanto a equipa investigava as potencialidades dos nanocristais para activar o elemento químico érbio (Er), no âmbito de um projecto na área das telecomunicações.
Na altura, verificaram que os nanocristais atravessam os fotões de alta-energia (ultra-violetas) e dividem-nos em dois fotões de baixa energia. Além disso, estes fotões entram por um lado e parte da energia sai por outro.
Assim, separando os fotões mais energéticos no espaço é possível converter uma maior percentagem de energia em electricidade, através de painéis solares, do que se converteria antes da divisão.
Apresentar projectos para avançar com a investigação
“Ainda não temos um plano de trabalho porque é tudo totalmente novo. Ninguém estava à espera disto”, refere Peter Stallinga. O passo seguinte é submeter projectos de investigação a pedidos de financiamento, que podem ser da União Europeia, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em Portugal, ou na Holanda.
A concretizar-se o pedido de financiamento a investigação vai realizar-se em várias áreas, cabendo ao CEOT – Centro de Electrónica, Optoelectrónica e Telecomunicações, da Universidade do Algarve, a caracterização eléctrica.
Os investigadores vão estar divididos em equipas consoante os projectos em curso. “Uma parte vai fabricar os dispositivos, outra faz as medições ópticas, outra faz a modelação das medições, outra parte faz a caracterização eléctrica, que é o nosso caso, depois juntam-se os resultados. Isto é como funciona hoje em dia a investigação”, explica Peter Stallinga.
No CEOT existem dois investigadores com conhecimentos para avançar com investigação nesta área, um é Peter Stallinga e o outro Henrique Gomes, ambos interessados em contribuir.
O que significa a descoberta?
Em teoria, os painéis solares podem aproveitar 30 por cento da energia que recebem do sol todavia, o que se verifica na prática é que apenas se aproveita 10 por cento dessa energia.
A nova teoria agora avançada, sugere que se possa aproveitar 45 por cento dessa energia, cabendo agora aos investigadores comprovar se é possível atingir essa meta, sendo que os resultados tanto podem mostrar uma rentabilização de zero por cento como de 50 por cento: “a investigação é necessária para saber se funciona ou não”, conclui Peter Stallinga.
A verificar-se, esta rentabilização de uma energia que é renovável pode constituir uma mais valia na diminuição de gases com efeito de estufa e, consequentemente, tornar-se mais uma pequena arma contra o fenómeno do aquecimento global.
Os resultados iniciais alcançados em Amesterdão vão ser publicados na edição de Fevereiro da revista Nature Photonics, juntamente com uma entrevista ao líder do projecto, merecendo ainda um destaque na revista Nature, publicações conceituadas no meio científico.
Fonte: Observatório do Algarve
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