A previsão de forte ondulação até 5 metros, coincidente com marés vivas nos próximos dias, leva a Associação dos Utentes da Ilha de Faro (AUIF) a manifestar “extrema” preocupação quanto a “danos que podem ser irreversíveis” e atingir o aeroporto.
“A falta de uma solução para travar o processo de erosão costeira que desde há muito se faz sentir na Ilha de Faro, poderá causar danos irreversíveis na Ilha nos próximos dias, face à previsão de forte ondulação (5 metros) que coincidirá com a existência de marés vivas" alerta a AUIF, em comunicado.
De acordo com a associação, "já este inverno e por diversas vezes se registaram galgamentos da duna, que obrigaram a cortes no acesso à Ilha de Faro e ao derrube de casas na zona poente".
“Esta situação é particularmente grave, quando existem na Ilha de Faro dezenas de famílias que ali habitam de forma permanente, e que assim se veem isoladas, impedidas de aceder ou sair da Ilha e com os seus bens sob permanente ameaça” denuncia a AUIF.
Autoridade do Ambiente e Polis assistem de forma passiva
Reconhecendo que a situação que se agrava particularmente no inverno, quando a agitação marítima é mais intensa, os representantes dos moradores denunciam a forma “passiva” como as Autoridades do Ambiente com responsabilidades sobre a faixa costeira assistem ao agravar da situação, “mesmo depois de inúmeros estudos que ao longo de décadas têm sido realizados pelos considerados melhores especialistas nacionais”.
“Curiosamente as soluções destes especialistas passam sempre pelo derrube das construções existentes, quando a zona mais frágil da Ilha de Faro é a central, onde praticamente não existem construções”, ironiza o documento da AIUF enviado às redações.(Ver na galeria de imagens o impacto dos temporais de Fevereiro de 2010).
“A Sociedade POLIS Ria Formosa, que tem nas suas linhas de programação uma intervenção para solucionar esta situação, sabe que existem outras soluções, talvez mais dispendiosas à partida mas mais eficazes, duradoiras e mais baratas a médio e longo prazo, mas continua a alimentar os mesmos especialistas de sempre, com a encomenda de mais estudos”, acusa a AUIF.
“São os mesmos técnicos cujas propostas de intervenção apontam para ações como as que recentemente ocorreram na Fuzeta, onde foram gastos 1 milhão de euros que o mar levou em 2 dias ou os 6 milhões de euros da alimentação artificial da praia de Vale do Lobo, que deveriam durar 10 anos, quando decorridos 6 meses, parte substancial da areia já desapareceu” acentua a direção da associação.
Câmara de Faro é acionista da Polis e deve agir
Lembrando que a autarquia de Faro é um dos acionistas da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa S.A., instituída com o objetivo de requalificação e valorização da Ria, a associação reivindica uma posição do autarca Macário Correia porque considera “ser urgente intervir, e acabar com o palavreado e estudos”.
“Se os responsáveis e especialistas de sempre não têm nem estratégia, nem soluções efetivas ou capacidade para resolver este problema, que se demitam, mas esperemos que não o façam apenas depois de a duna romper, de metade da Ilha de Faro desaparecer e do próprio aeroporto poder vir a ser afetado” conclui a AUIF.
Fonte: Observatório do Algarve
Sem comentários:
Enviar um comentário