sexta-feira, 22 de maio de 2009

682: Foco de poluição em ribeira por alegada descarga de "resort" preocupa vizinhos

Um foco de poluição numa ribeira em Moncarapacho, Olhão, alegadamente provocada por uma descarga de águas residuais de um "resort" preocupa o proprietário de terreno contíguo,que fez queixa às autoridades.


 


A Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve disse à Lusa que notificou o resort a apresentar os relatórios das análises regulares à qualidade da água lançada na ribeira e ainda um relatório a explicar a razão da descarga, uma vez que foi ao local e não conseguiu apurar a qualidade do efluentes lançados.



A descarga ocorreu no fim-de-semana e terá sido lançada à ribeira do Tronco, na zona de Moncarapacho, devido a um provável excesso de caudal da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Vila Monte, empreendimento de luxo com unidades de alojamento e campo de golfe.



José Soeiro, proprietário de um terreno vizinho, foi atraído pelo mau cheiro quando se encontrava a tratar das suas árvores de fruto e constatou a existência de "água negra" na pequena ribeira, para onde está direccionado um tubo proveniente da ETAR.



Preocupado com a eventual contaminação de lençóis freáticos, Soeiro alertou as autoridades para averiguar se o efluente lançado cumpria os parâmetros legais, já que o Vila Monte Resort está autorizado a fazer descargas para a ribeira, embora de acordo com alguns critérios.



No local, estiveram quarta-feira técnicos da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve e elementos do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, para tentar recolher amostras e avaliar a qualidadee origem das água lançada.



José Soeiro teme que a situação volte a repetir-se e acrescenta que o tubo direccionado para a ribeira foi ali colocado muito recentemente, o que indicia que poderá ser usado mais vezes para efectuar descargas.



Apesar de o director-geral do "resort" garantir que a água lançada é tratada e cumpre os parâmetros, segundo disse à Lusa fonte da ARH/Algarve é "tecnicamente impossível" averiguar a qualidade do efluente lançado no fim-de-semana, uma vez que a água secou e se misturou com a terra.



"O que podemos fazer agora é uma média da qualidade do efluente lançado de acordo com os relatórios que o hotel tem que fazer periodicamente e que até agora nunca nos tinham sido entregues", frisou a mesma fonte, acrescentando que o próprio "resort" é obrigado a analisar a qualidade do efluente em caso de descarga pontual.



A ETAR do Vila Monte está autorizada pela CCDR/Algarve a efectuar um caudal máximo de descargas de 36 metros cúbicos por dia, lê-se na licença de utilização de recursos hídricos para descarga de águas residuais a que a Lusa teve acesso.



A licença de utilização, emitida em Julho de 2008, frisa que o caudal máximo permitido se refere às situações "em que não seja possível reutilizar o efluente tratado por motivos de incapacidade do sistema de armazenamento".



Para avaliar se os requisitos foram cumpridos, a ARH/Algarve notificou o "resort" a apresentar os relatórios das análises regulares.



O director-geral do Vila Monte, Mário Morais, não se mostrou surpreendido com a descarga e garantiu que a água drenada para a ribeira possui os parâmetros exigidos por lei, situação que a ARH vai agora analisar.



O Vila Monte pertence ao grupo Relais & Chateau, também proprietário da Quinta das Lágrimas, em Coimbra.


 


Esgotos na ribeira em Moncarapacho


 


Fonte: LUSA


 

Sem comentários:

Enviar um comentário

4549: Aviso Amarelo no Algarve

  Instituto Português do Mar e da Atmosfera - Avisos Faro Amarelo Agitação Marítima Válido entre 2026-01-16 00:00:00 e 2026-01-18 06:...