O sistema de alerta precoce de maremotos no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo é financiado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO e deverá ser instalado entre 2008 e 2011.
Para já, Portugal tem em curso um projecto de investigação - o Nearest, apoiado pela Comissão Europeia com três milhões de euros - cujos resultados podem contribuir para este sistema de vigilância mais abrangente, revelou Adérito Vicente Serrão, presidente do Instituto de Meteorologia, à agência Lusa.
"Neste momento, uma bóia e um sensor que regista os movimentos tectónicos no fundo do mar já estão instalados 100 quilómetros a Sudoeste de Sagres, no âmbito dessa investigação, que envolve o Instituto de Meteorologia (IM) e a Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa", contou o responsável.
De acordo com Adérito Serrão, o projecto que reúne o Instituto de Meteorologia e a Faculdade de Ciências arrancou em 2007 e pode prolongar-se até 2009 "com vista à monitorização das condições de ocorrência de um sismo que possa originar um maremoto".
Este projecto de cariz nacional pode facultar dados importantes para o sistema de alerta precoce de maremotos, que espera vir a contar com financiamento comunitário para alcançar a última fase: a criação de centros regionais que vão receber e monitorizar os resultados enviados pelos sensores localizados no mar.
"Em Portugal, o centro regional - que funcionará nas instalações do Instituto de Meteorologia e utilizará as suas capacidades de vigilância sísmica 24 sobre 24 horas - ficará encarregue de uma área triangular que tem um vértice nos Açores, outro em Gibraltar e um terceiro na costa da Galiza", revelou Adérito Serrão à Lusa.
Segundo o presidente do Instituto de Meteorologia, apesar de recorrer à rede sismológica e maregráfica existente, "o centro vai necessitar da instalação e manutenção dos sensores, o que exigirá uma decisão política de Bruxelas e um pesado investimento financeiro".
Para Adérito Serrão, um dos aspectos que pode tornar a concretização do projecto mais onerosa é a divulgação de informações dos sensores para o centro regional.
"Há a possibilidade de colocar os sensores fixos a bóias, sendo a informação enviada por satélite, mas as bóias são um suporte volúvel, pois podem ser facilmente danificadas, pelo que a instalação de cabos seria uma hipótese mais segura, embora também mais dispendiosa", assinalou.
Ainda segundo o presidente do Instituto de Meteorologia, o trabalho do centro será desenvolvido em articulação com a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), "pois de nada serve antecipar uma catástrofe se a sociedade não estiver preparada e não possuir uma boa capacidade de reacção face à ocorrência".
Fonte: Observatório do Algarve
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