Está na calha para ser uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal, o prato em que os milhos desceram da serra e encontraram-se com o mar. É por ele que vamos até à Ria Formosa e ao Cerro de São Miguel. No meio fica Olhão.
A isto chama-se ‘puxar a brasa à sardinha’, fazer do único prato algarvio concorrente às 7 Maravilhas nacionais da gastronomia a razão de um fim-de-semana de lazer. Não se irá, por isso, recomendar um restaurante, mas uma marginal cheia deles, tendo como pretexto que a mesma bordeja a Ria Formosa.
Entre o renque das propostas gastronómicas, que podem começar pelo lado sofisticado, no restaurante do Hotel Real Marina, um cinco estrelas com vistas panorâmicas, junto ao porto de recreio De Olhão e acabar nas pequenas tasquinhas do mercado, onde se pode comprar e comer marisco acabado de pescar e de cozer, acompanhado de pão com manteiga e a inevitável cerveja “mine” como os locais chamam às garrafas pequenas que “guardam o fresco”, talvez porque se bebem de um trago.
Pelo meio ficam os restaurantes que oferecem as receitas regionais, mais o “peixe assado” o qual só precisa de atravessar a rua para ir do mercado para a grelha.
A sugestão é parquear na Av. 5 de Outubro, também conhecida por marginal ou Jardim Pescador Olhanense e ir andando de olho nas ementas, até não resistir à tentação. Há duas garantias: a frescura dos ingredientes e a simpatia do pessoal.
Entre os milhos e os mariscos
Passaremos pelos ‘xenxirs’ como chamavam às hortas os árabes, que ficam junto às ribeiras e onde se planta o milho, cultivadas em Pechão, em Quelfes e Moncarapacho, para ascender ao Cerro de S. Miguel, próximo de Olhão, com 402m de altitude, seguramente o melhor miradouro sobre a Ria Formosa, na encosta Sul.
Espraia-se primeiro a campina, vem depois a brancura cubista das açoteias de Olhão, os esteiros e canais da Ria, a ilhas arenosas da Culatra e Farol e por fim a vastidão azul do Oceano.
Em dias claros, para Nascente adivinha-se o recorte da costa que conduzirá a Tavira e a poente surge a cidade de Faro, com destaque para o centro histórico.
Virando-nos por fim para Norte, surgem as ondas de terra do barrocal, com os pomares de laranjeira e os contrafortes da Serra do Caldeirão emolduram o horizonte.
Ao descer do cerro pode-se fazer uma paragem na Quinta de Marim, sede do Parque Natural da Ria Formosa, nos arredores da cidade, para dar olhadela ao moinho de maré.
A seguir, a proposta é navegar na Ria Formosa, num passeio que pode ser feito à medida alugando um barco, no cais de Olhão ou então aproveitando o passeio realizado pela réplica histórica do caíque Bom Sucesso, embarcação tradicional da zona, que acosta no porto de recreio.
Fonte: Observatório do Algarve