A situação de seca sofreu um "ligeiro desagravamento" em Agosto, encontrando-se 1% do território continental em seca normal, 13% em seca fraca, 13% em moderada, 40% em severa e 33% em extrema, segundo o relatório do Ministério da Agricultura.
O 10º relatório de acompanhamento das condições e efeitos da seca reporta-se a 31 de Agosto e indica um "ligeiro desagravamento" da situação e que os maiores impactos, como esperado, são nos sectores de sequeiro, prados, pastagens permanentes e culturas forrageiras.
Em Agosto, a precipitação média em Portugal Continental esteve próxima do valor médio normal 1971-2000 (14.4 mm contra 13.7 mm) e a nível da precipitação acumulada está a 61% do valor normal acumulado de Outubro a Agosto (referência 1971/2000).
Nos sistemas hidroagrícolas há dificuldades em casos pontuais e houve maior dependência do exterior em relação à produção de energia hídrica.
As bacias tinham níveis de armazenamento um "pouco inferiores" aos valores médios habituais para Agosto.
"Encontrando-nos quase no final do ano hidrológico, constata-se que, em termos de reservas hídricas, as condições actuais são similares às do início do ano hidrológico 2011/2012", lê-se no documento, o qual acrescenta como excepções as bacias do Arade e do Sado. Nas outras bacias, a percentagem de armazenamento ultrapassava os 50%.
As dificuldades nas campanhas de rega foram registadas em Burga/Vale da Vilariça, Gostei, Odivelas, Silves, Lagoa e Portimão e Lucefécit.
Entre Janeiro e Agosto, na comparação com o período homólogo de 2011, a produção de energia hídrica foi 60% inferior, o que implicou uma queda da produção líquida de energia eléctrica de 16% e a um aumento das importações de 31%.
O documento nota que no Alentejo e no Algarve, os prados e pastagens naturais de sequeiro encontram-se, na sua grande maioria, esgotados, e que muitos agricultores não conseguiram constituir as reservas alimentares necessárias para o inverno.
Como esperado, há quebras na produção de grão na generalidade dos cereais de outono/inverno devido à diminuição da área de semeada e da produtividade.
A macieira apresentou quebra de produtividade no Norte e no Centro, enquanto a pereira registou decréscimos de produtividade entre 30 e 40% no Oeste e no Médio Tejo e os citrinos no Algarve, a nível das variedades mais tardias, tiveram diminuições de 15 a 30% face a um ano normal.
Há previsão de quebras também nos frutos secos, olival de sequeiro, assim como na vinha para uva de vinho produzida nas regiões do Norte, Lisboa e Vale do Tejo e no Alentejo, uma vez que no Centro a situação é "heterogénea".
Fonte: CM
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