Os serviços sociais da Câmara de Olhão vão identificar as famílias mais afectadas pela interdição de captura de bivalves na Ria Formosa para ajudar a minorar as carências existentes.
A interdição, que se estende a toda a zona entre Faro e Vila Real de Santo António, foi decretada há 39 dias devido à presença na água de toxinas que provocam intoxicação paralisante. Os mariscadores e os viveiristas foram obrigados a suspender a sua actividade e perderam parte importante do rendimento familiar.
“É uma questão social muito grave”, sublinhou o presidente da Câmara de Olhão, Francisco Leal, após uma reunião com as associações que representam os profissionais do sector.
Francisco Leal lamenta que a abertura do Fundo de Compensação Salarial para os Profissionais da Pesca seja um processo “demasiado burocrático e moroso” e alerta para a urgência da assistência aos profissionais que estão impedidos de trabalhar e também às suas famílias.
“Tem que se agilizar todo o processo, há famílias a passar necessidades, inclusive a passar fome”, admitiu o autarca em comunicado, garantindo que tem vindo a pressionar o Governo para tomar medidas.
De acordo com os números divulgados pela cooperativa de viveiristas Formosa, esta paragem afecta cerca de 5000 profissionais que exercem a actividade legalmente, mas o número pode alargar-se para o dobro devido à existência de muitos indocumentados. O presidente da cooperativa, Augusto da Paz, diz que há muitos empresários, entre viveiristas e responsáveis de armazéns, a adiantar dinheiro aos trabalhadores para minimizar as dificuldades.
Os viveiristas e mariscadores contestam a inexistência de mecanismos de protecção social para estas situações, o que deixa desprotegidas milhares de pessoas impedidas de trabalhar.
Fonte: Publico
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