quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

1229: Algarve: O que fazer nas Zonas Húmidas protegidas?

Ligar a investigação científica ao ecoturismo, os passeios marítimos e a observação de aves nas Ria do Alvor e Formosa, mas também explorar o sal da Reserva de Castro Marim, há empresas que olham para as zonas húmidas como um património a preservar.


 



No Algarve, quando se fala em zonas húmidas, a fronteira entre a terra e o mar e uma das zonas mais produtivas do mundo, o tom é, na maioria das vezes, crítico quanto aos muitos desmandos praticados.


 


A Quercus alertou para as ameaças que afetam as zonas húmidas, sujeitas a "forte degradação" devido a situações como a poluição decorrente dos aglomerados urbanos, e exigiu o investimento na sua recuperação.


 


A associação salienta ser "absolutamente necessária" uma articulação entre as entidades com competências na gestão das zonas húmidas, como as Administrações de Região Hidrográfica, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) ou a Autoridade Florestal Nacional (AFN).


 


A pretexto do Dia Mundial das Zonas Húmidas, este ano dedicado ao tema “Florestas, a água e as Zonas Húmidas” o Observatório do Algarve foi à descoberta de uma nova filosofia empresarial.


 


“Mostrar e conhecer o Algarve natural”


 


A Rocha, organização internacional de conservação do ambiente, cuja sede portuguesa fica na Mexilhoeira Grande (Portimão), resolveu apostar numa empresa de ecoturismo, conforme o Observatório do Algarve já havia anunciado aqui.


 


Marcial Felgueiras, diretor de operações da Associação A Rocha, explica que a empresa já está a dar os primeiros passos, tendo os contactos com hotéis da zona do barlavento, para possíveis parcerias, começado em Outubro de 2010.


 


“Muitos hotéis estiveram fechados e só agora começam a reabrir”, explica Marcial, por isso a opção por retomar apenas esta semana os contactos para a realização dos primeiros passeios em conjunto com unidades hoteleiras.


 


Por enquanto, a empresa funciona como “uma filha da Associação”, esclarece Marcial Felgueiras, que prefere apostar num crescimento sustentado e “cortar os laços apenas quando a ‘filha’ se tornar maior do que a ‘mãe’”. A aposta é num tipo de turismo direcionado para “o Algarve natural e o Algarve rural”.


 


“Claro que procuramos ter lucro, mas não é um lucro puro e duro. Queremos dar a ganhar também a outros negócios ligados ao Algarve rural, como a gastronomia e o artesanato”, sublinha.“Oferecemos um pacote de classe e pretendemos que os turistas que nos procuram levem uma ideia mais rica da gastronomia e do povo português”, conclui.


 


Investigação científica a par do lazer


 


A Ecoceanus , sedeada no Algarve, oferece serviços em áreas tão diversas como a investigação científica e o ecoturismo.


 


É possivel embarcar no veleiro catamaran Oceanus de 11m, para um “charter” tripulado por biólogos marinhos que, no seus “avisos à navegação” possibilitam uma maior conhecimento do meio a par de um passeio único.


 


Quem quiser aprofundar os seus conhecimentos pode ‘hospedar-se’ no barco, porque são ministrados cursos de fim de semana ou semanais em regime “Live aboard” pelos especialistas. A mesma modalidade pode ser adotada para o mergulho livre e recreativo.


 


No que toca à investigação científica, está disponível uma plataforma logística para investigadores para realizar amostragem biológica e recolha de dados, com a vantagem de poder beneficiar de ‘ajudantes’ especializados em diferentes ramos das ciências marinhas, como a ecologia Costeira, mamíferos marinhos, ictiologia e censos visuais ou seja um painel de investigadores colaboradores da Ecoceanus, pode participar.


 


A empresa é liderada por Daniel Machado licenciado em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve desde 2004 e Mestre em Ecologia pela Universidade de Coimbra.


 


Em Terra ou na Água


 


A Natura Algarve divide as suas atividades entre a água e a terra, na Ria Formosa, mas também pelos trilhos onde se podem observar aves e outras espécies endémicas.


 


Há programas para dias especiais, como aniversários, despedidas de solteiros, momentos a dois e passeios de barco, pedestres, em jeep e a empresa compromete-se a desenvolver um novo conceito de Ecoturismo na região algarvia, promovendo a divulgação do seu património histórico, cultural e ambiental.


 


O projeto é liderado por Ricardo Barradas, licenciado em Educação Física e Desporto pela Universidade Lusófona e mestrado em Desporto de Alto Rendimento de Barcelona.


 


Viajar com o ‘Espírito do Sol ‘


 


A proposta da Sunquays passa pela utilização da primeira embarcação energeticamente independente construída em Portugal, com recurso a energia solar e com zero de emissões de CO2. O “Espírito-do-Sol” foi desenvolvido especificamente para operar o sistema lagunar do Parque Natural da Ria Formosa.


 


A ideia é minimizar os riscos de erosão das margens do canal, devido ao seu navegar silencioso e sem provocar ondulação, para não afetar o habitat de inúmeras espécies aquáticas residentes. A empresa é gerida por Marisa Garcia licenciada em Biologia Marinha e Pescas.


 


Seguir o voo das aves


 


Henrique Lourenço, gerente das empresas Sequa Tours e Another Level, ambas ligadas a passeios e a turismo de natureza, acredita que este é um sector de mercado em crescimento, sobretudo com a observação de aves (birdwatchig), cujo público se caracteriza por uma grande exigência nos níveis de qualidade do serviço prestado.


 


“O birdwatching tem duas épocas mais direcionadas, é o Outono e a Primavera, se bem que no Inverno também haja algumas espécies que se conseguem avistar.


 


O empresário sublinha que os praticantes de birdwatching, na maioria oriundos do norte da Europa, em particular do mercado britânico, seguem, normalmente, a recomendação de quem já tenha visitado o local e sabem exactamente a espécie de ave que querem avistar. “É um turista muito especial, que sabe aquilo que quer e sabe ao que vem”.


 


“Procuram as nossas espécies endémicas e algumas espécies de arribação, as aves migratórias que vêm do norte de África e do norte da Europa, nos diferentes períodos”, comenta Henrique Lourenço que conta com guias com mais de 15 anos de experiência internacional no seu quadro de colaboradores.


 


O empresário assume que se trata de um mercado em crescimento, mas alerta para os riscos de um serviço mal prestado. “É preciso ter muita atenção com a qualidade do serviço que se dá, porque é um turista que já tem níveis de comparação com outros sítios que visitou e de outras tours que já fez, então temos de proporcionar um nível de qualidade superior”, salienta.


 


O ouro branco de Castro Marim


 


A produção de sal nos esteiros do Guadiana vai ser o mote de um encontro que se realiza a 19 de fevereiro no Auditório da Reserva de Castro Marim e Vila Real de Santo António, com o tema “Economia do sal e flor de sal em Castro Marim”.


 


A intenção é identificar potencialidades e lacunas, sendo certo que atualmente cerca de 80% das salinas locais estão desativadas.


 


Um dos nichos que pode ser explorado é o das argilas terapêuticas provenientes das salinas, que a Federação Europeia de Termalismo reconheceu serem “melhores do que as do Mar Morto”.


 


A iniciativa é do Jornal do Baixo Guadiana em parceria com a Associação Geminação Castro Marim/Guérande, e entre os intervenientes contam-se empresários da extração salina e do turismo, técnicos, investigadores, gastrónomos e trabalhadores das salinas.


 


Em busca de uma solução para que o sal volte a ser o “ouro branco” de uma das zonas húmidas classificadas do Algarve.


 


Fonte: Observatório do Algarve


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