sábado, 19 de setembro de 2009

765: Não sabemos o ar que respiramos

Os dados referentes à qualidade do ar no Algarve desde 2008 que não são registados, devido a problemas técnicos nas estações de monitorização que o Ministério do Ambiente ainda não conseguiu resolver.





No entanto, os últimos dados conhecidos, referentes ao ano de 2007, revelam que os casos mais graves foram registados na estação David Neto (Estrada de Alvor - Portimão), com 113 dias de excedências, e na estação Município (Av. do Município – Albufeira), com 48 dias de excedências.


 


As conclusões são da QUERCUS que no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, a analisou os dados para o poluente Partículas Inaláveis (PM10) disponibilizados pelas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do país, disponibilizados na Base de Dados On-line Sobre a Qualidade do Ar (www.qualar.org), gerida pela Agência Portuguesa do Ambiente


 


Todavia, na página oficial da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Algarve refere-se que “ a rede de monitorização da qualidade do ar da região do Algarve, é composta por sete estações de monitorização a funcionar em contínuo, com o principal objectivo de avaliar a qualidade do ar nos locais de maior densidade populacional, com vista à protecção da saúde humana da população exposta”.


 


Porém, os únicos resultados aí disponíveis reportam-se a 2004 e indicam “excedências para a Estação de Monitorização Urbana de Tráfego Afonso III, em Faro, o que levou à elaboração de um documento para estabelecer Planos e Programas de Melhoria da Qualidade do Ar, para a área abrangida”.


 


No plano desenvolvido para a melhoria e qualidade do ar o tráfego rodoviário (2004)surge como o grande factor de poluição, a que acresce os incêndios florestais e ainda corrente e vento do deserto.


 


Quanto a medidas de curto prazo a implementar, elas deveriam ter surgido em 2007 e referiam-se ao estímulo para a utilização do transporte público com a criação de um bilhete intermodal (para as zonas de Faro/Olhão) campanhas informativas a desenvolver em parceria com a Universidade de Algarve e acções de sensibilização com as Juntas de Freguesia junto da população.


 


A última actualização da página reporta a Janeiro de 2008 e encaminha os utilizadores para Agência Portuguesa do Ambiente. , onde apenas surgem dados relativos à cidade de Faro.


 


Em situação idêntica ao Algarve, isto é, sem dados actualizados está o Alentejo onde, segundo a Quercus, a CCDR não forneceu dados.


 


Norte melhorou Lisboa na mesma


 


Relativamente aos dados da CCDR Norte, "o panorama dramático que se viveu em 2006 e 2007 no Norte do país melhorou substancialmente", salienta a Quercus.


 


Com efeito, em 2007 houve 18 estações que ultrapassaram os limites enquanto em 2008 foram registadas apenas 3 estações a ultrapassar o número máximo de dias com níveis excessivos de partículas inaláveis: Vila do Conde com 79 dias em excesso, Espinho com 69 dias em excesso e Matosinhos- Perafita com 40 dias em excesso.


 


Já em de Lisboa e Vale do Tejo os problemas mantêm-se, apenas com algumas melhorias, nas estações de Entrecampos, Cascais e Setúbal.


Por outro lado, a nova estação de monitorização da qualidade do ar que entrou em funcionamento em Santa Cruz de Benfica este ano está a registar níveis de poluição semelhantes aos da Avenida da Liberdade em Lisboa, Espinho e Vila do Conde, os três piores no país.


 


Nesta região, em 2008, 4 estações ultrapassaram o limite máximo de excedências diárias para o poluente partículas inaláveis: Av. da Liberdade com 80 dias em excesso, Seixal- Paio Pires com 63 dias em excesso, Barreiro- Escavadeira com 46 dias em excesso e Barreiro- Alto Seixalinho com 42 dias em excesso.


 


Estes mesmos locais, embora ainda se esteja a mais de 3 meses do fim do ano, voltaram a ultrapassara em 2009 o número máximo de dias com ultrapassagem (limite de 35 dias por ano), com a nova estação de monitorização da Santa Cruz de Benfica a registar até à data 56 dias em excesso.


 


Recorde-se que a poluição atmosférica em Portugal é responsável por mais de 4000 mortes prematuras por ano, tendo a Comissão Europeia aberto recentemente um processo de contencioso contra o país por não estar a garantir em vários pontos do país os níveis mínimos de qualidade do ar estabelecidos por lei.




 


 


Fonte: Observatório do Algarve

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