Plataforma de associações avaliou estado do ambiente no Algarve e concluiu que incidentes gravosos, proliferação de PIN e falta de gestão participada são responsáveis pelos principais problemas.
As principais organizações de defesa do ambiente com representatividade no Algarve entendem que a região tem sido alvo de «um assalto generalizado» no que respeita aos recursos naturais e entendem que as ameaças não estão estancadas.
Num comunicado conjunto divulgado esta semana pelas associações Almargem, Quercus, Liga para a Protecção da Natureza, A Rocha, AMA, APOS e Altela são denunciados os oito principais calcanhares de Aquiles do Algarve, em termos de ambiente, mas o destaque vai para os «incidentes gravosos» registados ao longo de 2008.
Em declarações ao «barlavento», Alfredo Franco, dirigente da associação Almargem, considera que episódios como o abate do pinhal da Praia Verde, a destruição de sapal na Quinta da Rocha, assim como o esvaziamento da Lagoa dos Salgados continuam a ser exemplos de «uma cobiça desregrada e de especulação».
«Como pode uma lagoa ter de controlar os níveis de água por causa de um campo de golfe existente nas imediações ou um Projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN) não ter em consideração os valores ambientais envolventes?», questionou.
Na mesma linha, o dirigente chamou a atenção para a pressão imobiliária junto à zona do Pontal, realçando «o secretismo em torno do projecto» e alertando que no próprio site da Câmara de Faro «consta a promessa de um parque ambiental para a aquela zona verde».
Por todas estas razões, Alfredo Franco diz que o actual Governo «foi o pior em termos ambientais», referindo existirem poucos aspectos para fazer um balanço positivo.
O mesmo cenário é apontado à gestão ambiental, já que a plataforma de associações algarvias diz «não compreender» como pode existir «apenas um director para todos os parques naturais a Sul de Lisboa.
«Trata-se de uma situação incompreensível e que não confere credibilidade ao sistema, revelando o pouco interesse que o ambiente desperta na administração», prosseguem.
Segundo Alfredo Franco, apesar de a crise ter retirado muitas questões ambientais da ordem do dia, subsistiram, contudo, alguns aspectos positivos para o ambiente algarvio, «na medida em que muitos projectos PIN ficaram suspensos ou parados por falta de financiamento».
Fonte: Barlavento Online
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