Entre 4 e 8 de Fevereiro, a UALG vai acolher o 4th International SPICOSA Workshop. Trata-se de uma reunião de balanço no âmbito do projecto europeu Science and Policy Integration for Coastal System Assessment (SPICOSA).
Este projecto tem como principal objectivo criar uma metodologia capaz de avaliar o impacte da actividade humana, económica e política em vários pontos da costa europeia.
Portugal participa na iniciativa através do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA), da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente (FCMA), da UALG, com a análise do estuário do Guadiana.
“Todas as partes interessadas no estuário do Guadiana, deste e do outro lado da fronteira, estão a ser convidadas a dar o seu contributo ao trabalho que está a ser desenvolvido no âmbito do SPICOSA, desde autarquias e organismos da administração regional, a parques naturais, organizações ambientalistas, associações de pescadores, agricultores e produtores de sal, por exemplo”, explica Tiago Garcia, membro da equipa do CIMA, liderada por Tomasz Boski, que está a implementar o projecto em Portugal.
“Através desta troca de informação, foi-nos possível identificar os três problemas que afectam actualmente o estuário do Guadiana e que mais preocupam aqueles parceiros: as descargas de águas residuais não tratadas, a qualidade da água e dos sedimentos do estuário e, por fim, o volume de água descarregado pelas barragens, curiosamente, três questões que se relacionam entre si”, completa Tiago Garcia.
O SPICOSA tem 18 casos em estudo, com caracteristicas distintas e distribuidos pelo litoral europeu.
São lagoas, estuários, golfos, baias e fiordes os alvos deste estudo que inclui, além do estuário do Guadiana, a lagoa de Veneza, em Itália, o porto de Cork, na Irlanda ou o delta do Danúbio, na Roménia e na Bulgária, entre outros.
A abordagem do problema começa sempre da mesma maneira em cada um dos vários casos de estudo: consultando todas as partes interessadas acerca dos problemas ambientais mais relevantes. Depois, os especialistas aplicam um modelo de apoio à formulação de cenários que permite traçar possíveis panoramas de gestão e desenvolvimento. No fim do estudo serão propostas as boas práticas de gestão/governação.
Estabelecida a base sobre a qual trabalhar – ou seja, os problemas ambientais a considerar em cada um dos 18 casos de estudo Europeus – as equipas reúnem agora em Faro para fazer um balanço e programar a próxima etapa, essencialmente dedicada à modelação do funcionamento ecológico do estuário e à elaboração de cenários.
Em Faro vão decidir-se os moldes de aplicação do modelo de formulação de cenários a cada local e respectivos problemas e, simultaneamente, como veicular a informação sobre o trabalho em curso para que todas as partes interessadas possam tirar o melhor proveito da iniciativa SPICOSA.
A reunião decorre no edifício do Complexo Pedagógico, no Campus de Gambelas da UALG, estando prevista a presença de mais de 50 investigadores e de toda equipa responsável pela coordenação do projecto a nível europeu. Para o último dia de trabalho está reservada uma visita de campo ao estuário do Guadiana.
Fonte: Observatório do Algarve
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